segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Sejam bem vindos ao Grand Café!

Cinema, que por essência significa movimento, surge do desejo humano de (se) representar, ou melhor dizendo, representar suas ações. O marco inicial, talvez não o primeiro, é o surgimento do cinematógrafo, criado no fim do século XIX pelos irmãos Lumière e exibido publicamente pela primeira vez em 28 de dezembro de 1895, no Grand Café, em Paris. Mas o desejo de (se) representar não começou naquele ano na França, essa vontade surge juntamente com os primeiros homens e suas pinturas em pedras, já deixando clara a vontade do homem de “fixar um momento”.

Com a criação da fotografia em 1826, “fixar o momento” começa a se tornar mais palpável e, em 1895, se apegando aos mesmos princípios da câmara escura usados por Joseph Nicéphore Niépce, surgem os primeiros filmes. Os títulos poderiam até ser pouco sugestivos, mas filmes como "A saída dos Operários da Fábrica Lumière" e "A Chegada do Trem à Estação Ciotat" despertavam a imaginação de tal forma que, segundo relatos, a maioria dos presentes acharam que o trem realmente sairia da tela em direção às pessoas.

Com o sucesso das primeiras exibições, os irmãos Lumière passaram a enviar cinegrafistas para vários lugares da Europa, expandindo ainda mais seu invento e o cinema.

Naquela mesma época e lugar, um mágico ilusionista chamado Georges Méliès vê um outro potencial no cinematógrafo dos Lumière: o entretenimento. Méliès tenta comprar o invento, mas não consegue e da Inglaterra traz um equipamento parecido, começando assim o cinema de ficção.

Com 555 filmes produzidos, sendo o mais famoso Viagem à Lua (1902), Georges Méliès é considerado hoje o pai do cinema de ficção, assim como os irmãos Lumière são considerados os criadores do cinema documental.

Com o passar dos anos, diferentes técnicas de se fazer cinema surgiram e os equipamentos e invenções foram melhorados, possibilitando o que chamamos, hoje, de cinema. Para o futuro desta arte se levantam inúmeras possibilidades e o que podemos ter certeza é de que o desejo de (se) representar segue vivo dentro do ser humano e que um mundo de sensações ainda pode (e vai) ser explorado.

"A Chegada do Trem à Estação Ciotat" dos irmãos Lumière



"Viagem à Lua" de Georges Méliès



Texto: Getulio Xavier

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